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segunda-feira, outubro 21, 2013

ESCULTURA CIDADE: OLHARES SEM FUTURO


obra de Anselm Kiefer

que futuro?

Anselm Kiefer, escultor aalemão instalou no HangarBicoca, espécie de imâ cultural que atrai muita gente de várias culturas e vocaçõverdadeiramentees, do design, cinema e outras artes. As imagens aqui reunidas fazem parte de um notável filme rodado durante a construção da obra e depois, com a simulação da sua absorção pelo bosque envolvente. Lembram também o bom resultado de uma estrutura que nasce condenada ao abandono, ou mesmo ao próprio desmantelamento depois de décadas de presença fantasmática, tal como acontece ao longo de séculos em relação a grandes e médias cidades de facto, lugares cuja eternidade é mera ilusão mítica.


 No interior do espaço actualmente muito visitado, entre memórias e ruínas simuladas, foram assim construídos «os sete palácios celestiais, as famosas torres de cimento e ferro, em blocos, em fingidas derrocadas, num longo passeio de enganos perceptivos ou vividos, futurismo, conceptualização dos grandes dilúvios e grandes ruínas após terramotos e fugas humanas indistintas. Esta montagem é, por assim dizer, o cartão de visitas, da área referida, multicultural, onde se respira um  ambiente de criatividade e de vanguarda. 


 Anselm Kiefer foi entrevistado para o filme sobre a obra e sobre o seu pensamento acerca da Arte e do Homem. Kiefer falou sobre uma espécie de teoria da incerteza, sublinhando que a expectativa do envelhecimento da imitação das ruínas e da própria rusticidade do seu precário equilíbrio envolve o destino do Homem. Perguntado que esperança ou dúvida isso poderia traduzir, o escultor disse que a Arte não abre certezas mas caminhos de incerteza e descoberta do real na constante estranheza dele. Anotou que o Universo está longe de ser abarcado pela Ciência. A própria ideia do Big Bang obriga à pergunta sobre o que havia antes dele e o avanço de teorias sobre vários acontecimentos semelhantes, sobre a próxima contracção das galáxias -- nada evidente, nada seguro. Nós, humanos pocuramos uma certa espiritualidade que ninguém sabe verdadeiramente o que é. Humanos que há milénios constroem tecnologias para o bem e logo as apontam para o mal: o humano criando assim a desumanidade, guerras longas, a incerteza perante a vida e a morte. A Arte experimenta o trabalho do espaço e do tempo. A morte está em tudo, para sempre.


fogo nos últimos livros de pedra

sexta-feira, outubro 18, 2013

O ROSTO DOS ANOS DE BELEZA, COM ESPERANÇA


A propósito de um festival de cinema, este rosto é convocado e a sua beleza, aqui um pouco triste, parece lembrar-nos o caminho que tem sido imposto aos sonhos do futuro, agora ou amanhã, na desilusão dos eventos massificados e da crise que se estende por todo o ladoAbrem-se as mãos para receberem a verdade ou a ilusão, presença outrora simbólica, um tempo em que eu mesmo esboçava pela pintura, de forma diluída e talvez lírica, a memória das batalhas medievais, ou do próprio século XX, indagando uma certa beleza enevoada que mal encobre o sangue ou a morte. Hoje combatemos nas ruas, contra a cegueira dos poderes instituídos, as regras sombrias de um capitalismo mundial que se esbanja e logo é encurtado por fora dos muros das minorias assim escondidas, entre tesouros que banham a sua inominável e faraónica fortuna. E o que resta das sociedades reparte-se entre a ferocidade das ruas e os desertos dos grandes concertos na alienação.
Polanski chamou esta mulher e fez com ela um filme de psicoses e fantasmas. O rosto dela aparecia belíssimo, apesar de ter este aspecto de que perde a alma ou de quem espera que o amanhecer contenha espíritos salvadores, o apaziguamento do mundo em volta.

 

Esta minha pintura, branda nas cores mas escorrendo de uma altura  sombria, parece sobrar de vestes e ferros belíssimos, por fim encontrando, na dobrada  fragmentação, o delírio dos finais apocalípticos entre eventuais descansos brancos, os restos dos apetrechos, as mãos do combate e da prece, as vestes meio rasgadas, tudo enfim de outro modo, como que anunciando a queda ainda em vida, em câmara lenta, na esperança de que as feridas se apaguem e o sol arrefeça durante as horas das orações. Nunca mais a maldição dos  senhores.